6. GERAL 12.6.13

1. GENTE
2. DEMOGRAFIA  A FALTA DE CEMITRIO,...
3. NEGCIOS  O BILIONRIO WRTI
4. TICA  ESSE AVIO TEM RUMO?
5. SADE  ESPERANA PARA O DIABETES
6. VIDA DIGITAL  O COMPUTADOR DIANTE DO OLHO
7. BELEZA  LOIRA DO CABELO DURO
8. CELEBRIDADES  AS FAMOSAS ...QUEM?

1. GENTE
MARLIA LEONI, com Thais Botelho

NADA BOM; E VAI PIORAR
Ter sido criada no mundo alucinante de Michael Jackson, ser filha de uma mulher que assinou um contrato renunciando a jamais v-la em troca de 8 milhes de dlares e viver como rf cercada por aves de rapina, tambm conhecidas como familiares, so problemas inconcebveis para qualquer pessoa, quanto mais para uma menina de 15 anos como PARIS JACKSON. Hospitalizada depois de tomar analgsicos, cortar o pulso e ligar para um servio de auxlio a suicidas. Paris j vinha gritando por socorro: seus braos exibem cicatrizes da prtica desesperada da automutilao. A me, de quem se havia aproximado, saiu dando entrevistas sobre a tentativa de suicdio. E a gravadora processada pela famlia Jackson ameaa comprovar que Paris no  filha do cantor.

POSIES ALTERNATIVAS
Surtadas na Yoga  uma espcie de verso para garotas das brincadeiras de vestirio de meninos adolescentes. Na srie do canal GNT, FERNANDA YOUNG roteiriza e barbariza como uma das trs amigas que fazem piadas toscas, dizem palavras impronunciveis em qualquer ashram de respeito e deixam o estressado mestre cada vez mais longe do nirvana. Mesmo tendo sido praticante da coisa  melhor nem entrar na questo da iga ou da iga, j hilariantemente satirizada , Fernanda segue o ritual da autodepreciao: "No aprendi posio alguma, no tenho equilbrio e, sob presso, no identifico a esquerda da direita". Mas funciona melhor que seu outro trabalho, O Dentista Mascarado.

NINGUM PARA FAZER UM TIM-TIM?
Piadinha chinesa: "Quem  Xi Jinping?". Resposta: "O marido de PENG LIYUAN". Explicao para ocidentais desligados: ele  o novo hiperpoderoso da China e ela a sua mulher, mais conhecida pelos cidados comuns como intrprete de canes patriticas do Exrcito do Povo, com patente de general e tudo. S quem no quis bater continncia para a cantora bonita e alinhada, elogiada por mais de 1 bilho de chineses, foi Michelle Obama. De ltima hora, pouco antes do encontro na Califrnia entre o presidente Barack Obama e o visitante chins, ela disse que no iria porque estava "ocupada''. Soa como problema na ala residencial da Casa Branca.

AS MAMAS E OS PAPAS
As grvidas mais famosas do mundo esto chegando a termo em situaes inversas s em que comearam. Atormentada por enjoos e atribulaes na largada da jornada materna, KATE MIDDLETON desfilou a barriga de oito meses num evento real na semana passada como uma rsea imagem de elegncia e gravidez saudvel, grudadinha no marido, o prncipe William. No incio cantada, no sentido original da palavra, por Kanye West como sua baby mama, KIM KARDASHIAN est cada vez mais afastada do pai da filhinha esperada para o ms que vem  o sexo do beb foi confirmado, claro, num episdio do reality show dela. At no ch de beb ele s apareceu atrasado e de m vontade, escondido debaixo de um capuz. Ser que no gosta do negcio da fama?

LARGADINHA, ELA? NEM PENSAR
Quem olha a cantora CLAUDIA LEITTE acha que ela leva uma vida tranquila, sem suar o shortinho sequer para conseguir 5 milhes de reais em incentivos pela Lei Rouanet  todos os artistas captam, mas alguns captam mais do que outros. Pois so muitas as dificuldades de conciliar a carreira artstica e os negcios. A empresa de Claudia, por exemplo, foi acusada de dever cerca de 400.000 reais em contratos do ltimo Carnaval. "Estamos apenas com uma nica divergncia, que no chega a 100.000, por falta de acordo no que nos foi apresentado", rebate Fbio Neves, diretor da empresa. Claudia se estressou? "Ela riu, pois conseguimos provar que no procede.


2. DEMOGRAFIA  A FALTA DE CEMITRIO,...
...prefeituras chinesas subsidiam os funerais em alto-mar. Com a valorizao imobiliria e o envelhecimento da populao, h menos espao para enterrar os mortos.

     No pas mais populoso do mundo, enterrar os parentes mortos  uma misso rdua. Com 1,3 bilho de habitantes, a China enfrenta o desafio de manter as tradies de culto aos falecidos em meio  demanda em alta por espao urbano. A poltica do filho nico aumentou a proporo de idosos na populao e, com isso, elevou a taxa de mortalidade. No pas, registram-se 7,1 mortes por 1000 habitantes. No Brasil, em comparao, o dado  de 6,4. Quase 10 milhes de pessoas morrem a cada ano na China. O nmero deve dobrar at 2025. A quantidade de cemitrios no tem aumentado na mesma proporo. Em Xangai, onde o problema  mais grave, estima-se que no haver sepulturas disponveis no prazo de sete anos. A soluo  cremar os mortos e lanar as cinzas no mar. O ritual  realizado em grandes embarcaes administradas pelas agncias funerrias. As famlias chegam s docas logo pela manh, j com as urnas dos parentes em mos. Longe da terra, as cinzas so misturadas com ptalas de flores e lanadas na gua. Esse procedimento fnebre conta com subsdios estatais em Xangai e em outras dez cidades. Na maior metrpole da China, com 20 milhes de moradores, os enterros no mar ainda representam apenas 1,5% dos funerais, mas a modalidade cresce a uma taxa de 10% ao ano. 
     Na China, onde as tradies milenares duram at o prximo decreto do Partido Comunista, os funerais no mar so uma tendncia recente. Em 1949, ano da Revoluo Comunista, Mao Ts-tung instituiu que todos os mortos deveriam ser cremados. O objetivo era evitar que as terras produtivas se convertessem em amplos cemitrios. Hoje, a cremao ainda  a regra, principalmente nas cidades. Mas os chineses preferem enterrar as urnas com as cinzas, porque muitos acreditam que a alma s descansa em paz se o corpo que ela habitava repousar em terra firme. A falta de espao, contudo, elevou o valor dos terrenos e inibiu a construo de cemitrios. Nas grandes metrpoles, o preo de um jazigo para uma urna  de 24.000 inanes, ou 8300 reais, o equivalente a sete meses de salrio, em mdia, de um trabalhador chins. As famlias tambm precisam arcar com os 200 reais da cremao. Nos ltimos anos, os custos elevados obrigaram os chineses mais pobres a usar praticamente as suas economias de toda a vida para pagar o enterro dos pais. Para esses antigos "escravos do tmulo", como ficaram conhecidos, os funerais no mar, a custo zero, so uma forma mais leve de se despedir de seus entes queridos.
TATIANA GIANINI


2. NEGCIOS  O BILIONRIO WRTI
Em quinze anos, o empresrio Walter Faria passou de dono de uma pequena cervejaria ao posto de mais novo bilionrio brasileiro. O segredo do seu sucesso? Eis uma questo controversa.
OTVIO CABRAL E BELA MEGALE

     Em 1998, o empresrio paulista Walter Faria  "Wrti", para os amigos de infncia  comprou a fbrica de cerveja Petrpolis, dona da marca Itaipava e de pouco mais de 2% do mercado brasileiro. Novato no negcio, apostou em um produto popular, com publicidade agressiva e preos baixos para enfrentar a concorrncia dos gigantes do setor, principalmente a Ambev. Quinze anos depois, a Petrpolis se consolidou como a segunda cervejaria do mercado, com 11,4% das vendas. Nas ltimas semanas, celebrou outra conquista de gente grande: entrou para o seleto panteo das marcas que batizam estdios. Localizados no Recife e em Salvador, os dois Arena Itaipava sero sede da Copa do Mundo (quando, por fora de clusula contratual, tero de ser chamados de Arena Pernambuco e Arena Fonte Nova) e da Copa das Confederaes. Para merecer tamanha honraria, Walter Faria morreu com 200 milhes de reais  o preo para pendurar seu logo na entrada dos estdios pelos prximos dez anos. O sucesso nos negcios ps o empresrio na lista dos bilionrios da revista Forbes. Com fortuna avaliada em 4,6 bilhes de dlares, ele  hoje o 12 homem mais rico do Brasil. O segredo de tanto sucesso? Para Faria e seus amigos, a resposta  trabalho e viso estratgica. J seus concorrentes tm outra explicao. Para eles, Faria  um plagiador serial, adepto de mtodos truculentos e habitu de desencontros com a Receita Federal. 
     Criado em Macednia, cidade de 3500 habitantes a 570 quilmetros de So Paulo, Walter Faria comeou a trabalhar aos 13 anos vendendo ovos e leites a bordo de uma carroa que hoje ele guarda como recordao dos tempos de pobreza. Da carroa, virou scio de uma beneficiadora de caf com um irmo. Em 1984, Faria comprou uma algodoeira em Fernandpolis, tambm no interior de So Paulo, e na dcada seguinte fez sua grande aposta: trocou o negcio por uma distribuidora de bebidas Schincariol. No novo ramo, comeou a ganhar dinheiro, admiradores e inimigos na mesma proporo. Em pouco tempo, tornou-se o principal distribuidor da Schincariol no pas e juntou dinheiro suficiente para comprar a Petrpolis. J milionrio, rebatizou-se: trocou o Wrti caipira por WF, sigla pela qual gosta de ser chamado por sugerir "respeito e status", conforme conta um funcionrio que o acompanha h dez anos. 
     Os preos baixos das duas maiores marcas da Petrpolis, a Itaipava e a Crystal, atraram os bebedores do Sudeste e do Centro-Oeste  e tambm a ateno da Receita e da Polcia Federal. A suspeita de que a sonegao fiscal fosse a explicao para os valores cobrados pela cervejaria ps Faria no centro da Operao Cevada, que investigou indcios de sonegao de mais de 1 bilho de reais na Schin e na Petrpolis. O empresrio passou dez dias na cadeia. Trs anos depois, foi denunciado na Operao Avalanche sob acusao de tentar corromper fiscais da Secretaria da Fazenda paulista, ao lado de outras dez pessoas, entre elas o mensaleiro Marcos Valrio. No ano passado, a Fazenda fez uma devassa nas fbricas do grupo para investigar uma suspeita de desfalque de 600 milhes de reais em impostos estaduais. Os processos resultantes das trs investigaes ainda aguardam deciso judicial. Faria tambm  acusado de plagiar produtos dos concorrentes (veja o quadro ao lado) e de tirar vantagem dos trabalhos de prospeco das rivais. Ao instalar suas fbricas no Nordeste, escolheu justamente as cidades em que as grandes j atuam: Itapissuma, em Pernambuco, onde est a Ambev, e Alagoinhas, na Bahia, que abriga uma planta da Schincariol. 
     As disputas de Faria no se limitam  concorrncia  ocorrem tambm em famlia. Em 1985, quando ainda nem sonhava em ter uma cervejaria, foi apontado como suspeito de envolvimento no assassinato de um irmo, Antnio. O caso foi arquivado em 1988 por falta de provas pelo ento juiz de Fernandpolis, Isaac Birer. Seria um atestado de inocncia, no fosse o fato de o mesmo juiz ter sido mais tarde investigado pela CPI do Narcotrfico da Cmara dos Deputados, que descobriu que ele era scio da famlia Faria em uma distribuidora da Schincariol em Araatuba. A sociedade, concluiu o relatrio da comisso, teria sido dada ao magistrado como pagamento pela reduo da pena de outro irmo do empresrio, Joo Faria, preso em 1992 com 56 quilos de cocana. Por algum tempo, a suspeita de envolvimento de Faria na morte do irmo no foi suficiente para abalar sua relao com os sobrinhos. Os cinco filhos de Antnio foram criados por ele e chegaram a ser seus scios na Petrpolis at 2011, quando o tio rompeu a sociedade, comprou a parte dos sobrinhos e nunca mais falou com eles. 
     O bilionrio, que s se desloca em seu jato Learjet 40 e em seu Porsche Cayenne  sempre com o segurana no banco do passageiro , no abre mo de alguns hbitos antigos. Passa horas no cho da fbrica bebendo cerveja e comendo churrasco com funcionrios  que dizem que o esporte preferido do patro  o levantamento de copo". So os momentos em que WF vira Wrti de novo. Nas folgas, o empresrio muitas vezes prefere ficar em Fernandpolis ou Boituva, tambm no interior paulista, comendo frango caipira ao lado de amigos de infncia. Quando tem mais tempo, banca para os mesmos parceiros rodeios em Las Vegas ou temporadas gastronmicas estreladas na Itlia. Ainda gosta de tocar o bombardo, instrumento de sopro tradicional no interior de So Paulo, nos cultos da Congregao Crist no Brasil. Mas prefere convidar os amigos sertanejos Daniel e Guilherme & Santiago para tocar em sua chcara, aquecendo a garganta com goles de Camus Cognac XO. Assiste a jogos de futebol no estdio, principalmente do seu So Paulo. E depois de alguns deles se hospeda nas mais caras sutes presidenciais, como fez no Recife h trs semanas, aps a inaugurao do Arena Itaipava pernambucano. 
     No mercado de cerveja, especula-se que Faria planeja vender a Petrpolis em breve para curtir sua vida de bilionrio  a Heineken e a SABMiller j sondaram a cervejaria, mas no chegaram a apresentar proposta. A empresa diz que a estratgia  outra: atingir at 2020 todo o territrio nacional, com a construo de uma fbrica no Norte e outra no Sul. Com isso, a Petrpolis dominaria pelo menos 20% do mercado. S ento Faria pensaria em vend-la. Antes de investir nas novas fbricas, porm, ele vai lanar uma ofensiva no Nordeste, regio em que o consumo de cerveja mais cresce e na qual a concorrente Schin ainda tem fora. As duas empresas tm perfil semelhante: produtos baratos, vendidos principalmente em supermercados. A Petrpolis, no entanto, tem a vantagem de estar mais capitalizada. O investimento em marketing ser elevado de 175 milhes de reais para 360 milhes, com foco no esporte  o TNT, energtico da Petrpolis, patrocina a Ferrari. Se tudo correr como planejado, o empresrio aumentar seu faturamento de 3,7 para 7 bilhes de reais. A, Wrti sair definitivamente de cena para WF reinar.
     
COINCIDNCIA?
A Ambev trava batalha judicial contra a Itaipava por plgio: dos dois maiores casos, ganhou um e perdeu outro. Em julho de 2010, a Brahma trocou o branco de sua lata pelo vermelho. Dois meses depois, a Itaipava chegou s prateleiras com embalagem da mesma cor. A Justia do Rio de Janeiro obrigou Faria a suspender a venda da mercadoria. A Ambev tentou proibir a venda dos chopes Itaipava Black e Crystal Black, alegando serem imitaes do Brahma Black, que foi lanado em 2011, um ano antes dos concorrentes. Apesar das semelhanas, no conseguiu nenhuma deciso judicial contra a Petrpolis.


4. TICA  ESSE AVIO TEM RUMO?
Os drones  como os americanos chamam as aeronaves pilotadas por controle remoto  so um show como arma de guerra, mas apresentam um enorme desafio  tica.

     H mais de um sculo os militares procuram um avio que, controlado remotamente, possa espionar as fileiras inimigas e, de preferncia, atac-las. A busca comeou na I Guerra Mundial, chegou aos campos de batalha na II Guerra Mundial, tomou impulso durante a Guerra Fria e atingiu um certo apogeu quando Israel inventou uma verso moderna de avies no tripulados durante os conflitos com o Lbano na dcada de 80. At ento os avies eram usados em misses de reconhecimento. Os americanos, com seu olho de guia para a tecnologia, inspiraram-se no sucesso israelense e criaram seu prprio avio de controle remoto  o Predator, que entrou em operao em 1995. Era um avio humilde, que os militares americanos tratavam como mero "planador com motor de snowmobile". 
     A histria comeou a mudar em 12 de setembro de 2001, dia seguinte aos devastadores atentados a Nova York e Washington. Naquele dia, os Estados Unidos despacharam trs avies controlados remotamente para o Afeganisto. A novidade  que as aeronaves j no eram apenas espis, no serviam somente para misses de reconhecimento. Alm de reunirem tudo o que a tecnologia moderna permitia  de sensores miniaturizados a cmeras de alta definio , eles carregavam armas: explosivos, bombas, msseis. O drone (zango, em ingls), como os americanos chamam o avio pela semelhana, no barulho e na forma, com um zango, comeou a mudar o curso dos conflitos militares. Em 2009, ao falar da eficcia dos drones, Leon Panetta, ento diretor da CIA, afirmou: "Falando francamente, no tem nada igual". 
     Os drones americanos, em geral, so pilotados por dois militares, que ficam numa base em territrio americano. Um pilota o avio. O outro comanda sensores e cmeras. Verses mais modernas dispensam at o controle remoto. Os drones voam autonomamente, seguindo um plano previamente estabelecido. So mquinas maravilhosas. Filmam tudo, em imagens de alta definio, no oferecem risco  vida de nenhum piloto, podem voar a mais de 20.000 metros de altura, carregam toneladas de explosivos, fazem voos transocenicos e podem permanecer no ar por horas, dias, semanas  j h projetos de drones que ficam anos sem precisar aterrissar. So o sonho de qualquer militar. So precisos e rpidos. Foram a principal arma americana para localizar e matar cinquenta lderes da Al Qaeda, virtualmente destruindo a organizao terrorista. Os militares sadam os drones como a chegada da guerra cirrgica e assptica como um videogame. 
     Por trs das maravilhas divulgadas sobre os drones, no entanto, h um universo controverso, incmodo e desconcertante. Mesmo que a disparidade na capacidade militar entre inimigos exista desde que algum jogou a primeira pedra na savana africana,  perturbador que um militar, sentado numa poltrona, numa sala com ar condicionado, possa matar algum do outro lado do planeta. Os ataques de drones comearam no Afeganisto, durante o governo de George W. Bush, em resposta aos atentados de 2001. Mas, usando a autorizao dada pelo Congresso ainda no governo de Barack Obama alou os drones  sua era de ouro. Os ataques se espalharam para o Paquisto, o Imem, a Somlia. J houve at operaes nas Filipinas. Em qualquer pas, os alvos so sempre terroristas, ou militantes, ou suspeitos  mas, por suspeitos, entenda-se qualquer pessoa que age como se fosse terrorista. H drones sob o controle da Forca Area, mas outros so comandados pela CIA, a agncia de servio secreto. Embora a frequncia dos ataques venha caindo nos ltimos meses, estima-se que, s no Paquisto, o total de mortos oscile entre 2500 e 3500. Entidades internacionais calculam que, entre os mortos, pode haver at 900 civis e 200 crianas. 
     H dvidas sobre a legalidade, a moralidade e at a eficcia dos ataques. A Casa Branca alega que as operaes esto respaldadas pela autorizao do Congresso concedida ainda no governo Bush, e os ataques dos drones tm sido singularmente precisos e eficazes, como mostra o desmonte da Al Qaeda. Os crticos dizem que a Casa Branca extrapola abusivamente o alcance da autorizao do Congresso ao alvejar suspeitos cuja identidade nem sequer conhece, e no se pode falar em preciso quando, numa lista de at 3500 mortos, apenas cinquenta so lderes da Al Qaeda, o alvo principal. Em discurso recente, o presidente Barack Obama admitiu o uso abusivo de drones ao dizer que, de agora em diante, eles s sero usados como ltima opo e s quando houver "quase certeza" de que o alvo est no local sob mira e no h risco para civis. Mas nada disse sobre a CIA, que, aparentemente, continua comandando drones, apesar de ser uma agncia secreta. 
     Sob as leis internacionais, a questo  ainda mais complexa. Um relatrio das Naes Unidas, que abriu uma investigao especial sobre as vtimas civis dos drones, afirma que, se outros pases alegassem a mesma autoridade dos Estados Unidos para "matar pessoas em qualquer lugar e a qualquer hora, o resultado seria o caos". A ambiguidade moral da atitude americana  evidente. Em artigo publicado no New York Review of Books, o diretor da Human Rights Watch, Kenneth Roth, questionou: "Ser que o governo realmente tem o direito de atacar qualquer um que entenda ser um combatente contra os EUA? E se essa pessoa estiver caminhando nas ruas de Londres ou Paris?". 
     Os drones acabaram transformados em estrelas da guerra sem que ningum antevisse o fenmeno. Assim, a arma comeou a ser empregada sem limites ticos, sem objetivos estratgicos, sem uma doutrina. O desafio  adaptar os cdigos militares do sculo XX a uma arma do sculo XXI. Nas dcadas de 40 e 50, os presidentes Harry Truman e Dwight Eisenhower tiveram de enfrentar o desafio de definir uma doutrina para disciplinar o uso de uma nova tecnologia militar  a nuclear. Houve abusos, que os vencedores deixaram esquecidos nas cinzas. Na II Guerra, depois da exploso das bombas sobre Hiroshima e Nagasaki, houve militares americanos de alta patente confessando o temor de que poderiam acabar sendo processados como criminosos de guerra, caso o Japo tivesse sado vitorioso. Mas a poltica americana, com a definio de limites e objetivos, ajudou a evitar uma hecatombe nuclear. Obama precisa alar-se ao desafio de disciplinar a nova tecnologia, enquanto h tempo  em vez de estabelecer um padro de uso que, como diz a ONU, levaria ao caos. 
     No mundo civil, as regras esto comeando a aparecer, pois  inevitvel que drones sigam o mesmo caminho de outras inovaes tecnolgicas, como a internet e o GPS, que foram criadas no meio militar e acabaram virando objetos de uso comercial. Nos prximos cinco anos, a Federal Aviation Administration (FAA), rgo responsvel pela aviao americana, estima que haver cerca de 7500 drones voando no pas em atividades civis: monitorando o clima, fertilizando plantaes, ajudando em operaes de resgate, patrulhando fronteiras. J h empresas de energia eltrica que usam drones para inspecionar o estado das linhas de transmisso. Os estados americanos j disputam entre si para ser sede da nova indstria, as universidades j esto criando as primeiras faculdades de drones. Num sinal de que o futuro  vasto, na semana passada a Domino's, cadeia de lojas de pizza, postou um vdeo no YouTube mostrando um drone voando sobre rvores e rios para entregar duas pizzas a um cliente  aqui, sim, rpido, cirrgico e eficaz. E sem dvidas ticas.


5. SADE  ESPERANA PARA O DIABETES
Pesquisadores da Universidade Harvard descobrem hormnio capaz de multiplicar as clulas produtoras de insulina. A betatrofina  o que h de mais promissor no tratamento da doena.
NATALIA CUMINALE

 a notcia mais animadora no combate ao diabetes desde o isolamento da insulina, em 1921. Em artigo publicado na revista cientfica Cell, pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, anunciaram a descoberta do hormnio betatrofina, capaz de promover a proliferao das clulas beta. Localizadas no pncreas, elas so responsveis pela sntese de insulina, tambm um hormnio, imprescindvel para a entrada de acar nas clulas de todo o organismo. Nos diabticos, as clulas beta ou so destrudas ou no funcionam a contento. Nas experincias com camundongos, em cujo metabolismo foi acelerada em laboratrio a produo de betatrofina, o nmero de clulas secretoras de insulina aumentou, em mdia, dezessete vezes; chegou a 33 vezes, em alguns casos. Encontrado no fgado e no tecido adiposo, j est provado que, entre os seres humanos, o hormnio recm-descoberto tem a mesma funo. "O achado de Harvard tem o potencial de levar  cura do diabetes", diz Freddy Eliaschewitz, diretor do Centro de Pesquisas Clnicas (CPClin). de So Paulo, e um dos grandes estudiosos do assunto no Brasil.
     Com 366 milhes de vtimas no mundo, 12 milhes delas brasileiras, o diabetes  uma doena crnica grave e em franca ascenso. Em 2030, os doentes devem chegar a 552 milhes. Apesar da alta taxa de mortalidade em decorrncia do problema, a adeso ao tratamento  baixssima. No Brasil, por exemplo, apenas 20% dos pacientes diagnosticados seguem as orientaes mdicas  risca. Alm do controle rgido da alimentao, da prtica regular de exerccios e dos medicamentos orais, muitos diabticos s conseguem controlar a doena com injees de insulina. So duas, trs picadas todos os dias. Apesar de todos os avanos da medicina, contudo, nenhuma verso sinttica da insulina acompanha o ritmo natural do organismo. Em um organismo saudvel, ela s  liberada pelo pncreas quando os nveis de acar (ou glicose, no jargo mdico) esto acima do normal. Ainda no se conseguiu desenvolver uma insulina em comprimidos que passe inclume pelo trato gastrointestinal, e as experincias com a insulina inalvel se revelaram um fracasso. "Se tudo funcionar como o esperado, a betatrofina poder substituir de vez a insulina", disse a VEJA Peng Yi, coautor da pesquisa de Harvard. Ele assina o trabalho com Douglas Melton, diretor do Instituto de Clulas-Tronco da universidade americana. 
     O entusiasmo com a betatrofina no e apenas dos pesquisadores. Estende-se tambm  indstria farmacutica. O hormnio j foi licenciado pelo laboratrio Janssen, subsidirio da Johnson & Johnson. Na Evotec, empresa alem de biotecnologia, quinze pesquisadores trabalham com a betatrofina. A expectativa  que a verso sinttica do hormnio esteja disponvel para pesquisas clnicas em cinco anos. H ainda, portanto, um longo caminho at que a betratrofina chegue ao mercado. Nos camundongos de laboratrio, o hormnio manteve as taxas de insulina em nveis adequados por oito dias. Como a nova substncia no foi testada em seres humanos, ainda no  possvel prever a periodicidade de administrao da betatrofina para o tratamento do diabetes. A betatrofina  resultado de quatro anos de estudos e teve como ponto de partida um mecanismo j conhecido na endocrinologia. Uma condio conhecida como resistncia  insulina. Nela, o pncreas produz insulina, mas as clulas do organismo no conseguem aproveit-la de maneira adequada. Como forma de defesa, o organismo "entende" erroneamente que est faltando insulina e aumenta a produo de clulas beta. A equipe de Melton e Yi deflagraram um quadro de resistncia  insulina nos camundongos. Em seguida injetaram a betatrofina nos animais. Pela lentes do microscpio, os cientistas verificaram a intensa replicao de clulas beta. Para determinar a origem da nova substncia foi utilizada uma tcnica de leitura de genes conhecida como anlise de microarray. Descobriu-se, ento, a origem da secreo da betatrofina, no fgado e nas clulas adiposas. A princpio, o hormnio recebeu um nome em ingls, rabbit, porque foi descoberto no ano chins do coelho e por promover a multiplicao acelerada das clulas beta. 
     H mais de quinze anos Douglas Melton se dedica ao estudo das clulas pancreticas secretoras de insulina. Tudo comeou quando seu filho mais velho foi diagnosticado com diabetes tipo 1  mais tarde sua filha tambm seria acometida pelo mesmo mal. O diabetes tipo 1  a verso mais grave da doena. Nela, o sistema imunolgico do prprio paciente destri as clulas beta. Com isso. o organismo torna-se incapaz de produzir insulina, o que deixa os doentes dependentes das injees desse hormnio. Responsvel por cerca de 90% de todos os casos de diabetes, o tipo 2 est associado aos pssimos hbitos da vida moderna  as dietas desreguladas e calricas e o sedentarismo  e a uma tendncia gentica. O acmulo de tecido adiposo pode levar a um quadro de resistncia  insulina, o que predispe ao diabetes. Ainda  cedo para dizer se a descoberta de Melton livrar seus filhos do diabetes, mas certamente ela abriu uma perspectiva promissora no combate ao mal que avana silenciosamente no organismo.

O QUE J SE SABIA
Um adulto saudvel possui de 1 bilho a 3 bilhes de clulas beta. Encontradas no pncreas, elas produzem o hormnio insulina em resposta  presena de glicose no sangue. Quanto mais altas as taxas glicmicas, maior  a sntese de insulina.
Organismo saudvel  A insulina funciona como uma espcie de chave para a entrada de glicose nas clulas, onde  transformada em energia. O diabetes se caracteriza por uma falha nesse processo.
Diabetes tipo 1 - As clulas beta so destrudas pelo sistema de defesa do prprio organismo, o que o torna incapaz de produzir insulina. 
Diabetes tipo 2 - As clulas beta ou esto em pequena quantidade ou enfraquecidas, o que leva  deficincia de insulina.
- Se o diabtico, tanto do tipo 1 quanto do tipo 2, conseguisse aumentar o nmero de clulas beta, a doena no existiria.

COMO FOI A DESCOBERTA
No incio deste ano, pesquisadores da Universidade Harvard revelaram que, em quadros de resistncia  insulina, o organismo "entende" erroneamente que o hormnio est em falta e, como forma de defesa, aumenta a produo de clulas beta. Esse foi o ponto de partida para a descoberta da betatrofina. 
1- Os pesquisadores PengYi e Douglas Melton, tambm de Harvard, induziram camundongos de laboratrio a desenvolver resistncia  insulina. Por anlise gentica, descobriram que uma substncia, a betatrofina, produzida no fgado e no tecido adiposo aumentava a produo de clulas beta pelo pncreas.  
2- Em seguida, eles injetaram a substncia em cobaias com resistncia  insulina. Entre os animais que receberam a betatrofina, a proliferao das clulas beta foi, em mdia, 17 vezes maior do que entre os outros roedores. 
3- O mesmo gene responsvel pela produo de betatrofina nos camundongos  encontrado nos seres humanos. 


6. VIDA DIGITAL  O COMPUTADOR DIANTE DO OLHO
O Google Glass, que se parece com culos, tem tudo para ser um daqueles avanos tecnolgicos que, como o iPhone e o iPad, mudam o comportamento das pessoas.
FILIPE VILICIC

     Novas categorias de produtos tecnolgicos no surgem todo dia. Pense nas revolues iniciadas pelo iPhone (2007) e pelo iPad (2010). Isso ajuda a explicar a expectativa e a excitao causadas pelo Glass. A nova criao do Google tem a aparncia de um par de culos, mas  na realidade uma minitela montada sobre hastes flexveis, que incorporam cmera, sensores e um computador. O prisma que projeta imagens diretamente no olho do usurio permite navegar pela internet e acessar aplicativos, como o GPS. "Ele me lembra o momento em que eu abri a embalagem do Apple II, em 1977. Era caro, no fazia muita coisa, mas eu sabia que minha vida havia mudado", entusiasma-se o americano Robert Scoble, cujo blog Scobleizer  referncia em divulgao tecnolgica. O Apple II foi o primeiro computador pessoal, e o mundo nunca mais foi o mesmo por sua causa. O Glass  a estrela de uma nova categoria nomeada de wearable gadgets. So aparelhos computadorizados que podem ser vestidos ou usados sobre o corpo, como roupas e pulseiras. 
     O potencial dos wearables  enorme, sobretudo do Glass. Mas, por enquanto, no adianta correr s lojas. O Google apenas comeou a distribuir os primeiros aparelhos, em verso de teste. Foram s 2000 unidades, a 1500 dlares a pea, com vendas restritas a especialistas na rea. O objetivo  dar tempo aos desenvolvedores para test-lo e criar aplicativos para o Glass. Uma das regras impostas a eles pelo Google probe a utilizao de programas de reconhecimento facial.  uma ao preventiva da empresa para acalmar as preocupaes relativas  privacidade. Afinal, o Glass dispe de uma cmera que fotografa e filma. Nisso  igual a qualquer smartphone, mas seu uso  muito mais discreto, a ponto de ser quase imperceptvel. 
     O Glass  para os smart glasses  ainda que, a rigor, o Glass no seja um par de culos, pois as lentes so opcionais, ele  colocado nessa subcategoria dos wearables  o que o Apple II foi para os computadores: no  a primeira tentativa de laboratrio, j que experincias similares ocorreram nos anos 80 e 90, mas  aquela em condies de vingar. Pesando apenas 42 gramas, o Glass assenta-se confortavelmente no rosto. Para lig-lo, basta um gesto com a cabea ou um dedo na haste. Simples assim. H programas que detectam piscadas de olhos, mas a maior parte da navegao deve ser feita por comando de voz ou por toque. Dono de um dos exemplares de teste, o desenvolvedor Breno Masi, diretor da Movile e scio da consultoria Onoffre, avalia que as pessoas podem demorar a se adaptar aos comandos, como aconteceu com o iPad. Porm a demora no ser longa. "O uso do Glass  natural e viciante", diz Masi. 
     A verso do Glass distribuda a desenvolvedores tem funes limitadas. Sem 3G ou 4G, precisa da conexo de um smartphone para acessar a internet. Da mesma forma, ainda que seja possvel configur-lo diretamente nas hastes,  mais simples utilizar um aplicativo de celular para esse fim. A lista de programas disponveis, como um do Facebook,  pequena. A variedade deve aumentar at o fim do ano, quando o Glass chega s lojas. No se sabe se at l o Google ter resolvido o mais irritante dos problemas atuais: a bateria, cuja carga se esgota com poucas horas de uso. 
     Como muitas vezes ocorre com novas tecnologias, o Glass desperta certa desconfiana. Estados americanos estudam proibir seu uso ao volante, como j acontece com o celular, pois ele pode distrair o motorista. A discusso  mais intensa quando o assunto envolve o direito  privacidade. Uma organizao recm-criada, Stop the Cyborgs (Pare os Ciborgues), obteve seus quinze minutos de fama com uma campanha pela internet para banir a utilizao do Glass em espaos pblicos. Alguns bares e cassinos americanos j adotaram essa providncia. H motivo para tanto alarde? Sarah Rotman Epps, da Forrester, consultoria americana de tecnologia, pe racionalidade na discusso: "O Glass evidencia problemas de privacidade j levantados pelo smartphone. Muitas vezes, inovaes tecnolgicas exigem adaptaes de nossas etiquetas sociais. E  o que vai ocorrer com o Glass". 

CULOS-SMARTPHONE
Uma tela de computador  frente do olho permite navegar na internet, acessar aplicativos, usar o GPS, tirar fotos e filmar.
Bateria: o Google diz que dura um dia, mas a durabilidade real  de apenas algumas horas.
Touchpad: a superfcie sensvel ao toque permite a navegao com movimentos de dedos. No iniciados no mundo digital demoram a se acostumar.
Cmera fotogrfica e filmadora: so ativadas por voz ou por um boto acima do touchpad.
Tela translcida:  exibida em um prisma no canto superior direito. O tamanho real  19 por 10 milmetros, mas equivale ao de uma TV de 25 polegadas vista de uma distncia de 2,5 metros.
Lentes: h verses transparentes e escuras, mas o Google ainda no confirmou o modelo com lentes de grau.

PELAS LENTES DO GLASS
A tela inicial exibe o horrio e a frase ok glass". Essa frase precisa ser pronunciada para ativar o comando de voz.
O programa de GPS, uma de suas funes mais teis, j vem incorporado ao Glass.
Fotos e vdeos so vistos no display e podem ser compartilhados em redes sociais, como o Facebook, com um toque no touchpad.
Ainda h poucos aplicativos, como este, da rede americana de TV CNN. As notcias podem ser lidas ou ouvidas. A narrao s  ouvida por quem est usando os culo.
COM REPORTAGEM DE VICTOR CAPUTO


7. BELEZA  LOIRA DO CABELO DURO
Ou negra da cabeleira dourada? As interaes capilares so mltiplas e ficam lindas em mulheres j deslumbrantes. Fora a chapinha, a cabea s esquenta quando as patrulhas resolvem embaar. Ou embaraar?
THAS BOTELHO

     Num tempo distante, mulheres de pases onde os negros no so maioria costumavam se queixar, com razo, de que no existiam padres de beleza nos quais pudessem se espelhar. Muitas se sentiam obrigadas a alisar os cabelos crespos e outras, para se rebelar, afrontavam preconceitos africanizando o visual. Num mundo onde reinam as cantoras Beyonc e Rihanna, duas das mulheres mais esplendorosas que jamais existiram, a queixa perdeu um bocado de fora. Mas os cabelos... Bem, continuam arrepiando. Rihanna, como j ficou evidente em muitas esferas, no est nem a para a opinio de ningum, muito menos dos preconceituosos de vrias tonalidades que a criticam por imitar o "padro branco": tinge, alisa, encrespa, alonga e raspa conforme lhe d na belssima e s vezes descontrolada telha. At a muito mais comportada Beyonc, com sua habitual cascata de megahair louro, tambm j foi alvo da patrulha capilar. E ficou chocada quando fotos da sua filhinha, Bine Ivy, com um penteado mais parecido com o da tia, Solange Knowles, do que com o da me, provocaram comentrios desairosos. Ateno, muitas das mulheres que criticaram Beyonc nas redes sociais por "no arrumar" o cabelo da menina de 1 ano e 5 meses eram negras. 
     "Atendo cerca de 1500 clientes negras no meu salo, e pelo menos 70% chegam em busca de cabelos lisos. Acham lindos e prticos para cuidar", diz Fernando Fernandes, dono de um salo de beleza em So Paulo pioneiro no alisamento e partidrio da tese bastante razovel de que domar cabelos crespos no implica absolutamente traio ao tom da pele. Ningum, evidentemente, pode ignorar a complexidade das questes envolvidas, mas no assumir o papel de vtima tambm faz muito bem  autoestima. "Meu cabelo  sarar, e comecei a usar qumica para relaxamento dos fios quando virei modelo. Isso facilitou minha permanncia no meio", assume Pathy DeJesus, modelo e a primeira VJ negra fixa do canal de msica MTV. "Usar o cabelo como bem entender no significa negar suas origens." 
     No quadro da estranha composio humana, com corpo pelado e cocuruto luxuriante, os cabelos aparentemente passaram de lisos a crespos quando o Homo erecius transitou para o Homo sapiens. A chapinha foi uma espcie de adaptao evolutiva a uma moda de pouco mais de meio sculo, a dos cabelos lisos. Como tantas outras mulheres que tm uma foto do tipo "meu passado me condena", a atriz americana Jennifer Aniston nunca conseguiu eliminar a prova de como era antes de conquistar um dos estilos de cabelo mais copiados de todos os tempos. A primeira-dama Michelle Obama tambm no. Segundo o site americano naturallycurly.com, ou "naturalmente encaracolado"  uma espcie de portal referncia quando o assunto so truques para cuidar dos cabelos crespos, 56% das suas usurias acreditam que os americanos no estariam "preparados" para ter uma primeira-dama com cabelo estilo afro.  uma pesquisa que mostra, evidentemente, a percepo de um pblico especfico. Nesse universo, 37% tambm disseram que o "emaranhado" dos fios crespos consome muito do tempo que gastam na hora de se arrumar. 
     As tcnicas de alisamento hoje utilizam produtos menos agressivos e mais adaptados a diferentes texturas, como hidrxido de sdio e tioglicolato de amnia  indicado para cabelos mais finos , hidrxido de guanidina, para cabelos mais resistentes, e outros com clcio e potssio. Para eliminarem o efeito estirado e darem um aspecto mais natural aos fios  o balano , profissionais renomados recorrem s chapas de porcelana e titnio. Segundo Roseane Goes, do salo do cabeleireiro Celso Kamura, o aparato usado no final do procedimento distribui por igual a queratina, protena capilar na base dos fios que fica "congestionada" nos cabelos muito crespos. O preo de um alisamento com bons produtos comea em 300 reais e chega a 1200 em sales requintados. Rihanna  uma referncia muito mencionada. J a franja de Michelle Obama demanda tanta manuteno que praticamente  preciso ter, como ela, um cabeleireiro residente. E no existe comisso de inqurito no mundo que responda, com certeza absoluta, a um dos grandes enigmas de Washington: afinal, Michelle usa ou no usa apliques?


8. CELEBRIDADES  AS FAMOSAS ...QUEM?
Com pouca roupa e muito talento para se exibir, ilustres desconhecidas se transformam em campes de cliques e recebem tratamento de estrela na internet.
ALVARO LEME

     E s acessar qualquer site dedicado a celebridades que a constatao salta (em geral, em formas muito avantajadas) aos olhos: metade dos nomes ali citados soa, quando muito, vagamente familiar. So as subcelebridades, rapazes e moas  principalmente moas, todas muito exuberantes  que aspiram  fama com tanto ardor que fazem disso um modo de vida. Acham espao em nichos na internet que se alimentam de intimidades e polmicas de gente minimamente conhecida, os quais, por sua vez, tm pblico garantido na infinidade de pessoas que adoram saber da vida dos outros. Nesse terreno frtil floresce, por exemplo, a gacha Jssica Lopes, 27 anos e muita vontade de ser famosa. Egressa, como todas, de palcos de programas de auditrio e de reality shows, Jssica, como quem no quer nada, um dia trocou de roupa dentro de um carro no estacionamento de um aeroporto, com a porta aberta e-xa-ta-mente na direco da cmera de um fotgrafo. Pronto: virou a "peladona de Congonhas", e assim apareceu em toda parte  um site de celebridades exibiu at fotos suas rodeada de elefantes na frica do Sul. "Em geral, essas figuras logo perdem impacto. Por isso mesmo, prestam-se bem  necessidade dos sites de fofocas, que precisam reciclar seu contedo muito rapidamente", diz Mrio Marques, diretor de uma consultoria especializada em estratgia digital. 
     Uma vez notcia, as mais ou menos famosas ingressam numa roda-viva de fotos provocantes e declaraes ruidosas, tentando manter-se  tona no mar das candidatas ao estrelato. A gacha Andressa Urach, 26 anos, no para de aparecer desde que, numa entrevista ao tabloide ingls The Sun, afirmou que havia passado uma noite com o jogador portugus Cristiano Ronaldo, do Real Madrid. Ele negou, mas Andressa bombou. Ex-danarina da trupe do cantor Latino, vice-miss Bumbum 2012, continua nos sites  fala-se que vai integrar o prximo elenco de A Fazenda, um passo e tanto na carreira  e confia no seu taco: "Eliana foi danarina, Xuxa namorou o Pel e Adriane Galisteu, o Senna. Todas viraram grandes apresentadoras. Nada impede que eu seja a nova Hebe Camargo". As que somem no anonimato, mas continuam determinadas, vez ou outra conseguem mais dez minutos de fama. A paulista Geisy Arruda, 24 anos, entrou para a carreira contando com a simpatia do pblico: em 2009, num vestido curto e colado ao corpo, foi vaiada pelos colegas e banida da faculdade de turismo que ento cursava. A expulso foi revista e o curso adiado  nascia uma subcelebridade. Quatro anos depois, Geisy ainda tem flego para ressurgir esporadicamente. No ano passado, deram ibope uma plstica e a passagem por um reality show. "Quem sabe usar bem a internet consegue qualquer coisa. J comprei dois apartamentos'', gaba-se. Em comum, Geisy, Jssica e colegas, a includas vrias misses Bumbum, diversas assistentes de palco e todas as mulheres-fruta, carregam consigo uma penca de colaboradores (assessor de imprensa, personal trainer), mantm vnculos estreitos com os paparazzi e cultivam a habilidade de entregar aos sites de fofocas o que eles precisam para agradar  audincia. 
     Por trs da ascenso de vrias dessas moas est o empresrio e jornalista Cacau Oliver, 34 anos, olheiro de uma revista de nus femininos e criador do concurso Miss Bumbum. So elas que vm a ele em busca de fama. Cacau as orienta at em "boas maneiras em viagem ao exterior". "Sempre digo que  melhor ser considerada tmida e calada do que extrovertida e ignorante", ensina. Fabricar subcelebridades pode levar entre trs meses e um ano: uma vez consideradas prontas, elas partem para as inevitveis fotos nuas e a caa aos convites para qualquer evento onde haja fotgrafo.  indispensvel dar planto nas praias cariocas no ponto onde se concentram os paparazzi e  mais comum do que parece  ir para o aeroporto com visual produzido e malas vazias apenas para fingir que est viajando. Dizem as ms lnguas que a precursora da ttica  Nicole Bahls, ex-Panicat com passagem por A Fazenda e musa das subcelebridades desde que namorou o filho mais velho do empresrio Eike Batista, Thor. "O pblico quer se sentir parte da vida do famoso.  um Big Brother da vida real", define Luli Radfahrer, doutor em comunicao digital da USP. Insistentes em seus propsitos, as subcelebridades j esto, inclusive, circulando por espaos alm da sua imaginao. Em Sangue Bom, a novela das 7 que estreou na Globo no fim de abril, Ellen Rocche  ela prpria um expoente da comunidade  interpreta a Mulher Mangaba, uma funkeira disposta a tudo para aparecer. E vejam s: at nas pginas de VEJA elas vieram parar.  ou no  de tirar o chapu? 


